Rio -  A prostituição é conhecida como “a profissão mais antiga do mundo”, talvez pela capacidade de se adaptar a cada sociedade. A criação recente de um serviço de “bordéis móveis” em Nova York, nos Estados Unidos, mostra que, para sobreviver à perseguição de autoridades ou conviver com a permissão do governo em alguns países, as trabalhadoras do sexo precisam ser “profissionais polivalentes”, como diz um jargão do ramo de recursos humanos.

O lado mais triste da história é que muitas vezes isso é usado para enriquecer apenas exploradores e traficantes de seres humanos. Reportagem da rede inglesa BBC mostrou na semana passada que, para se adaptar à fiscalização crescente em ruas de áreas nobres como Manhattan, cafetões nova-iorquinos passaram a oferecer os serviços de prostitutas em caminhões.
Além disso, também passaram a oferecer, disfarçados de anúncios de chocolates, flores e até de aniversários infantis, cartões anunciando uma espécie de “delivery” (entrega em domicílio) de prostitutas. Muitas dessas mulheres são submetidas a um regime de trabalho quase escravo, atendendo a mais de 25 homens por dia.

Jornais locais noticiaram o caso de uma prostituta que atendia num caminhão de cachorro quente, e do dono de uma pizzaria, perto de um estádio de baseball, que explorava as garçonetes, oferecendo para aos clientes, além de fatias de pizza, sexo no banheiro do estabelecimento, entre 2005 e 2012.

Na Europa, onde a venda de sexo é legalizada em alguns países, o relacionamento das mulheres e transexuais com as autoridades que regulam a atividade também muda de lugar para lugar. As maneiras como o governo recolhe impostos das prostitutas e como elas lidam com o local onde oferecem os serviços são bem diferentes das maneiras dos americanos.

Na Alemanha, mulheres têm que comprar tíquetes para trabalhar nas ruas

Na Alemanha, em pelo menos duas cidades os impostos da prostituição servem para ajudar nas contas do governo: Bonn e Dortmund. Na primeira, as profissionais do sexo compram um tíquete numa máquina nas ruas, para apresentar à fiscalização. Em Dortmund, as prostitutas também compram um passe diário para trabalhar. A atividade gera 950 mil dólares de impostos para os cofres da cidade.

Em Lleida, na Catalunha, na Espanha, para evitar os acidentes em vias onde as prostitutas oferecem seus serviços, a polícia determinou que elas têm que usar coletes que, quando iluminados, ficam fluorescentes. Se forem pegas sem o acessório, elas têm que pagar multa equivalente a R$ 120. Resta saber se os clientes acham o acessório sexy.