sexta-feira, 13 de julho de 2012

Irmandade Muçulmana planeja boicotar eleições na Jordânia


Síria -  A Irmandade Muçulmana da Jordânia, principal grupo da oposição ao governo, decidiu nesta sexta-feira boicotar as próximas eleições gerais, previstas para o final do ano, depois que o Parlamento aprovou uma polêmica lei eleitoral. O Conselho Consultivo do grupo tomou a decisão por unanimidade, após fazer uma reunião extraordinária e constatar que "a nova lei eleitoral representa perigo para o interesse nacional e não responde às reivindicações do povo", explicaram os islamitas.
A Câmara baixa do Parlamento aprovou, em 8 de julho, o aumento de 17 para 27 cadeiras para a chamada "lista nacional", seguindo recomendação do governo do primeiro-ministro, Fayez Tarawneh. A lei eleitoral, elaborada para ser a coluna vertebral do plano de reforma política prometida pelo rei Abdullah II, estipula um sistema de votação misto, que permitirá a cada cidadão depositar dois votos: um para seu distrito eleitoral e um a nível nacional.
A oposição tinha pedido que pelo menos 50 do total de 140 cadeiras da Câmara procedessem da citada lista em nível nacional, por isso rejeitaram que esse número se limite a 27 e reivindicam mudanças no sistema. Em comunicado, a Irmandade Muçulmana convocou um boicote ao pleito e pediu que a população continue com as manifestações a favor das reformas democráticas no país.
Além disso, o grupo reivindica que o governo "revise sua postura e sua insistência em manter leis que sufocam a reforma solicitada". Tarawneh e os demais deputados conservadores rejeitaram renunciar ao sistema de "um voto por pessoa", batendo de frente com a oposição islâmica e os movimentos reformistas, que o consideram um obstáculo para a formação de uma câmara representativa do povo.
Mudanças
Em 28 de junho, Abdullah II se opôs à lei eleitoral que tinha sido aprovada pelo Parlamento e determinou a introdução de emendas a fim de assegurar uma maior representação na Câmara baixa. No entanto, por uma questão formal, o monarca emitiu um decreto aprovando a lei para permitir que a recém-criada Autoridade Independente das Eleições continuasse com seus trabalhos de preparação para o processo eleitoral. A decisão de boicotar as eleições pode afetar a estabilidade política na Jordânia, que já foi palco de protestos populares no marco da Primavera Árabe.
O país está imerso em um processo político marcado pelas tentativas de Abdullah II de impulsionar reformas através de diversos governos, dos quais o último tomou posse em 2 de maio e é liderado pelo conservador Tarawneh. As últimas eleições legislativas na Jordânia foram realizadas em novembro de 2010 e deram a vitória aos candidatos governistas, enquanto a Frente de Ação Islâmica - da Irmandade Muçulmana - optou pelo boicote.
As informações são da EFE 

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