terça-feira, 17 de julho de 2012

Moçambique: Infecção de doadores de sangue ameaça reservas

A maioria dos doadores voluntários de sangue em Nampula está infectada com doenças sexualmente transmissíveis, o que agrava a escassez de sangue naquela província do norte de Moçambique, segundo divulgou fonte hospitalar esta terça-feira.



Daniel Viera, substituto do chefe do Banco de Sangue no hospital de Nampula, o maior do norte do país, definiu como "muito crítica" a falta de sangue naquela unidade hospitalar.
Actualmente, o Hospital Central de Nampula, antigo Hospital Egas Moniz, que atende doentes das províncias de Nampula, Cabo Delgado, Niassa e Zambézia, dispõe de menos de 100 unidades de sangue, quando as suas necessidades reais são de 800 unidades.
A situação agravou-se com a infecção de centenas de doadores voluntários, por doenças sexualmente transmissíveis, como sífilis e sida, o que os impede de contribuírem com sangue.
"O número de doadores de sangue está a reduzir substancialmente, porque muitos dos nossos membros estão no grupo de risco", disse Zacarias Juriasse, presidente da Associação dos Voluntários de Doação de Sangue (AVODASA)
Zacarias Juriasse acrescentou que a AVODASA conta presentemente com apenas 146 voluntários de doação de sangue em toda a província de Nampula (que conta com 21 distritos), contra os mil que existiam em 2004.
A administração provincial de saúde avançou, entretanto, com uma operação de recolha de sangue nos sectores público e privado, tendo na segunda-feira recebido a adesão de um grupo de 93 agentes da Polícia Municipal.
"As pessoas vêem a Polícia Municipal apenas como uma força de repreensão, mas queremos mostrar a nossa parte humanitária", disse o chefe das operações da corporação, Jacinto Joaquim.

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