sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Defesa exige separar arguidos

Uma manobra de última hora da defesa para julgar separadamente grande parte dos réus do ‘Mensalão’ acirrou ontem os ânimos no início do julgamento do maior escândalo de corrupção dos últimos anos no Brasil.



Esperava-se que a primeira sessão fosse meramente formal, com a leitura dos nomes dos arguidos e a exposição dos crimes de que são acusados. No entanto, assim que os trabalhos tiveram início, Márcio Tomás Bastos, ex-ministro da Justiça de Lula, e outros advogados de defesa solicitaram que os 35 réus que não ocupavam cargos públicos, em 2005 – quando o escândalo de corrupção foi descoberto – , sejam julgados em separado, por outros tribunais.
Interpretado como uma manobra para parar o julgamento uma vez que todo o processo teria de ser desmembrado, o pedido foi negado prontamente pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e o clima ficou quente. Um dos juízes, Ricardo Le-wandowsky, saiu em defesa dos advogados, enfurecendo o seu colega Joaquim Barbosa, relator do processo, que o acusou de nunca antes ter levantado a questão.
Em São Paulo, o ex-presidente Lula da Silva, que por muitos é considerado a figura central do ‘Mensalão’, mas que ficou de fora do julgamento alegando que tudo foi feito nas suas costas, mostrou desinteresse total sobre o processo judicial. Questionado sobre se iria acompanhar o caso, Lula respondeu: "Tenho mais do que fazer, quem tem que acompanhar são os advogados".

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