Argentina -  Adolescente usa granada para assaltar posto de gasolina. Família de um jogador de futebol passa por momentos de terror nas mãos de ladrões. Onda de assassinatos deixa 18 mortos em 36 dias, a maioria em assaltos.
As notícias lembram episódios de insegurança que já foram manchetes nos jornais brasileiros, mas estão sendo noticiados, nos últimos meses, por meios de comunicação argentinos.

O aumento da percepção de insegurança, sobretudo na região de Buenos Aires, fez o governo local admitir que a situação é problemática, e o jornal americano ‘New York Times’ a publicar reportagem afirmando que o país deixou de ser passagem na rota sul-americana do tráfico de drogas para virar uma espécie de base na região.

O jornal americano lembra o recente assassinato de Héctor Jairo Saldarriaga, em Barrio Norte, Buenos Aires. Ele teria conexões com traficantes colombianos.

Segundo a publicação, o tráfico está ligado ao aumento de ocorrências como tiroteios. Com as gangues tentando expandir suas operações, afirma o jornal, a Argentina, que era um ponto de trânsito de drogas até os anos 1990, se tornou mercado lucrativo.
Ainda segundo a matéria publicada no jornal, há uma demanda imensa local por drogas. E, ao contrário do que acontece em outros países na região, que estão envolvidos numa guerra agressiva contra as drogas, o governo argentino ainda não usou seu poder militar e policial contra os traficantes

BANDIDOS DE SEIS PAÍSES
Presidente da Associação Anti-drogas da Argentina, Claudio Izaguirre, afirmou ao portal Infosurhoy que o governo não monitora corretamente a entrada de criminosos de outros países ou aviões. Por isso, traficantes da Bolívia, Colômbia, México, República Dominicana e Paraguai atuam no país.

“Eles estão se aproveitando da disponibilidade local de precursores químicos para purificar a pasta de cocaína e produzir drogas na Argentina”, afirmou Izaguiree.

Autor do gol do mundial de 1986 diz que parentes estão traumatizados

Entre os episódios que mais assustaram os argentinos este ano estão 18 assassinatos em 36 dias, em junho e julho, na Província de Buenos Aires. Entre os casos mais chocantes estão o de uma grávida baleada, o enforcamento de uma aposentada de 81 anos em casa e vários roubos seguidos de morte.

Em 12 de junho, a casa do jogador Jorge Burrochaga, autor do terceiro gol da Argentina na vitória por 3 a 2 sobre a Alemanha na final da Copa de 1986, foi assaltada. A mulher dele e quatro filhos passaram por momentos de terror.
 
Eram quatro homens encapuzados, com luvas e todos vestidos de preto. “Ameaçaram minha família e disseram que, se não entregassem tudo, iriam matá-los. Levaram um susto terrível e já não querem morar mais na casa”, disse o ex-atleta, que é treinador e estava no Paraguai.

Outro caso que chamou muita atenção foi o roubo de um posto de gasolina por adolescentes de 17 anos que levavam uma granada, em La Plata. A dupla ameaçou explodir o lugar, mas foi presa. Ao contrário do que acontece no Rio, ainda não é comum marginais usarem explosivos do gênero na Argentina.