quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Síria: Putin pede que países mudem de posição

O Presidente russo, Vladimir Putin, pediu, numa entrevista difundida esta quinta-feira pela televisão russa ‘Today’, aos países empenhados na busca de uma solução para a Síria que modifiquem as suas posições.


"Porque é que só a Rússia deve reavaliar a sua posição? Talvez os nossos parceiros no processo de negociação devam também mudar de posição", disse Putin.
O Presidente russo sublinhou que "os acontecimentos dos últimos anos mostram que todas as iniciativas dos parceiros não terminam como eles desejam", apontando como exemplo a intervenção no Afeganistão.
"Os Estados Unidos da América [e os seus aliados] entraram no Afeganistão e agora só pensam em como sair. E o que se passa nos países árabes, no Egipto, na Líbia, na Tunísia, no Iémen. A ordem e o bem-estar reinam? E qual é a situação no Iraque?", prosseguiu.
Questionado sobre a política ocidental de apoio à oposição síria contra o regime do Presidente Bashar al-Assad, aliado tradicional de Moscovo, Vladimir Putin respondeu: "É preciso abrir as portas de Guantánamo e enviar todos os prisioneiros para combaterem na Síria, é exactamente a mesma coisa", numa alusão à prisão americana em Cuba onde estão detidos desde 2001 suspeitos de terrorismo.
O líder russo sustentou que se deve continuar com as negociações para acabar com a escalada de violência e que o futuro da Síria deve ser decidido pelos sírios.
"Para nós, a coisa mais importante é acabar com a violência, forçar todas as partes em conflito a sentarem-se à mesa das negociações, determinar o futuro e garantir a segurança de todos os participantes do processo político", disse.
"E só depois seguir para os passos práticos sobre a organização interna do país", acrescentou.
A Rússia vetou três resoluções do Conselho de Segurança da ONU que previam sanções contra Bashar al-Assad e acusou os Estados Unidos de perseguirem abertamente uma "mudança de regime".
Putin rejeitou as críticas de que a Rússia protege Assad, usando o seu poder de veto nas Nações Unidas, e de que fornece armas ao regime.
"Compreendemos perfeitamente que as mudanças são necessárias, mas acreditamos que isso não significa que a mudança deva ser sangrenta. Temos o mesmo respeito por todos", assegurou.
O conflito entre a oposição síria e o regime do Presidente Bashar al-Assad dura há 18 meses e causou mais de 26 mil mortos, segundo dados do Observatório Sírio dos Direitos Humanos.

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