Abusou de pelo menos três crianças durante a catequese. E ontem, perante o juiz de instrução criminal do Tribunal de Santarém, Rodrigo Marques Pereira, o sacristão da capela de Casais de Lagoa, paróquia de Aveiras de Cima, só conseguiu chorar. Pelo meio confessou todos os crimes de que é suspeito, o último dos quais no dia 14 deste mês, filmado por uma das vítimas para provar os ‘avanços' do predador. Já está em prisão preventiva na zona prisional anexa à Polícia Judiciária, em Lisboa.
Rodrigo Marques Pereira, detido anteontem pela PJ em frente à casa de uma amiga, tal como o CM noticiou, chegou ao Tribunal de Santarém pelas 15h40. Confrontado com as provas e interrogado até às 18h00, o sacristão nunca negou os factos e admitiu ter abusado dos três rapazes, um com 11 e os outros com 12 anos.
A notícia da detenção do auxiliar de serviços gerais da paróquia local abalou toda a comunidade de Casais de Lagoa, em particular o responsável pela paróquia de Aveiras de Cima. "Estou profundamente chocado. Não acreditava que alguém próximo de mim pudesse ser levado a uma tentação e a cometer um crime destes", admitiu ao CM o padre António Barros Cardoso. Ainda assim, o pároco coloca dúvidas sobre as acusações que pendem sobre Rodrigo: "Custa-me a aceitar a ideia. Só acreditarei quando as provas o mostrarem inequivocamente." Se tal acontecer, "ele não poderá continuar connosco", assegura o padre.
Segundo o CM apurou, a Polícia Judiciária está a averiguar a hipótese de haver mais vítimas do sacristão que não denunciaram os abusos sexuais. A investigação foi despoletada depois de a mãe de uma das vítimas ter apresentado o vídeo na GNR.
Reunião para evitar conflitos
Na pequena localidade de Casais de Lagoa, as opiniões sobre a detenção de Rodrigo Marques Pereira dividem-se. Uns não acreditam nas acusações, outros garantem que "isto já se falava há muito tempo e mostra que ele era como um lobo com pele de cordeiro".
Para evitar possíveis conflitos, o padre António Barros Cardoso tinha previsto para ontem à noite uma reunião com os paroquianos na capela da aldeia.
"É uma tentativa de mediação. Quero ajudá-los a entender uma situação chocante e que devem aguardar serenamente pelo que vier a acontecer", adiantou o pároco ao CM.
Em causa está a proximidade entre a família das vítimas e a do sacristão, uma situação que para o sacerdote merece "todo o cuidado".
À hora de fecho desta edição a reunião ainda não tinha começado e desconhecia-se se pais das vítimas e do agressor iriam marcar presença no encontro.
Família fechada em casa evita os vizinhos
António José Pereira, pai de Rodrigo, garantiu anteontem ao CM que as suspeitas sobre o filho eram infundadas. "Algumas pessoas, só com inveja dele, começaram a falar mal", disse. Ontem, a família fechou-se em casa, onde o sacristão também habita. "Ainda não os vi hoje. Não saíram o dia todo. O António nem veio aqui ao café hoje, ao contrário do que é normal", adiantou ao CM um vizinho, com quem "costuma beber umas cervejas".
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